Ato de Palestrinidade

Postado em: Colunas, Na Arquibancada | por: Marcio D'Andrea |

Texto de Marcio D’Andrea

O orgulho de ser palmeirense está mais vivo do que nunca, no sangue verde que percorre as nossas veias. É verde dos verdes, aquele que quando chega, chega para chegar, dizendo, AQUI É PALMEIRAS!

Este foi o sentimento de todos os palmeirenses, independentemente de estarem ou não presentes na passeata de ontem. A presença espiritual é tão ou mais forte do que a física em alguns casos.

Todos temos histórias para contar do dia 14 de Janeiro de 2012, mas o mais importante, é que nós escrevemos uma página na interminável e gloriosa história da nossa Sociedade Esportiva Palmeiras e do eterno Palestra Italia.

A minha não me esquecerei jamais, pois é um exemplo de vida e de dedicação ao Palmeiras.

Antes de sair perguntei ao “experiente palestrino”, se preferia participar da procissão de São Marcos em cima do trio elétrico. Ele me agradeceu com um singelo gesto ao velho estilo italiano, mas disse que se decidisse por esta opção, me informaria.

Já nas ruas ele se apoia no meu ombro e disse – preferi seguir a procissão a pé. Devagar e sempre vamos conseguir, foi a minha mensagem a ele.

E lá fomos nós, eu o “experiente palestrino” e mais um “irmão de sangue verde de outras tantas batalhas e jornadas”, passo a passo, no ritmo da experiência, movidos pela emoção, acompanhamos a procissão do Palestra ao Pacaembú, sem nenhuma reclamação de cansaço.

Nos emocionamos, vi em determinados momentos, lágrimas nos olhos de meus dois companheiros de caminhada, arrepiados pelo cantos, pelas bandeiras nas janelas, pelos aplausos das pessoas e principalmente pelo sentimento, talvez de decepção, talvez de raiva do que fizeram e estão fazendo com o nosso alviverde imponente. Pensei, quantas imagens das vitórias, dos títulos, das lutas, da história não deve estar passando na cabeça dos dois.

Os olhos brilharam, quando eu, em meu momento de palestrinidade, disse – “ele tentou de tudo, mas nós, fazendo referência a todos que estavam na passeata ou nos acampanhando de algum lugar do mundo, não deixaremos o nosso Verdão acabar”.

O ápice da caminhada foi quando próximo a praça Charles Miller, ao ser abordado por um cidadão que tem preferências da política palmeirense antagônicas às nossas, o nosso “experiente palestrino” com o dedo em riste para o céu, se pronunciou – A próxima (procissão) será das Diretas, seu ……………!

Chegamos, acompanhamos o final da procissão, ele com o sentimento de missão cumprida, se foi, não assistiu ao jogo, talvez sabendo o que estaria por vir.

Nos vemos na próxima!

Aos dois companheiros, pelo ressurgimento de nosso alviverde imponente, ficam aqui o meu profundo agradecimento por lutarem com tanto afinco, as vezes com visões distintas mas com certeza com o mesmo objetivo, levantar o nosso Palmeiras, o nosso Palestra Italia.

Valeu Experiente Palestrino – José Roberto Christianini, o Jota.
Valeu Irmão de Sangue Verde – Luís Henrique Monteiro Fronterotta, o Fronte.

Saudações Palestrinas, Palmeirenses, Alviverdes, Esmeraldinas.

Comissão Arena: Sistemas do Projeto Arena

Postado em: Colunas, Editorial | por: blogfanfulla |

Fanfullistas, hoje foi protocolada a carta abaixo destinada ao presidente do clube e sua comissão das obras da arena. O motivo da redação foi a evidente lacuna que teremos entre o clube social e a arena, identificado na reunião que tivemos com a WTorre.

Prezado Sr. Arnaldo Tirone – Presidente da Sociedade Esportiva Palmeiras

Ref: Sistemas do Projeto da Arena Palestra Italia

O grupo Fanfulla vem acompanhando o andamento das obras da Nova Arena e dentro deste trabalho tem surgido algumas dúvidas a respeito da integração da S. E. Palmeiras com as obras e com o projeto em si.

Entre os diversos assuntos identificados, selecionamos alguns nesta carta e pedimos a gentileza de encaminhá-la a Comissão de Obras da Arena, solicitando os seguintes esclarecimentos listados mais abaixo.

Nosso desejo é que o clube possa acompanhar a evolução das instalações que estarão presentes na Nova Arena, garantindo a todo o complexo, Arena e Clube Social, o mesmo nível de conforto, segurança e comunicação.

Sistemas de Comunicação e Segurança.

O sistema de comunicação da Arena deverá ser de última geração, projetado para um espaço no estádio com esta finalidade, e trará várias soluções de tecnologia, possuindo funcionalidades como Wi-fi (rede sem fio), proporcionar conteúdos exclusivos gerados ao vivo entre outras possibilidades

Todo esse sistema deverá ser centralizado no que é chamado usualmente de Data Center.

Nesta central, diversos outros sistemas estarão presentes como controle de acesso, de vigilância, de telefonia, de conectividade entre outros.

Um “Data Center” possui características básicas essenciais como segurança física/eletrônica de acesso, alta disponibilidade de energia com bancos de baterias/geradores, climatização com redundância, espaço para racks que concentram os roteadores de conectividade, segurança lógica [como firewalls], PABX/ToIP, URA, patch pannels de cabeamento estruturado, switchs core e de borda para distribuição da rede, além da hospedagem de servidores, storage, backup dos vários sistemas, circuito fechado de TV, entre outros recursos de tecnologia, além de bancadas para trabalho dos operadores.

O clube também possui estas necessidades, ampliando sistemas de faturamento, cobrança, recursos humanos, contabilidade, etc…

Além de precisar criar definitivamente uma rede que integre todos os departamentos, espaço para armazenagem e compartilhamento de dados, acervo digital,… também existe a necessidade de disponibilização e gerenciamento de wi-fi (rede sem fio) corporativo e separado dos serviços disponibilizados aos sócios como wifi nos bares, piscinas, etc ….

Este campo é uma oportunidade única e existem duas soluções alternativas:
- Aproveitar o DataCenter da Arena e compartilhar a infra-estrutura, hospedando todos os sistemas do clube social.

- Instalar um DataCenter no prédio administrativo. Esta opção demanda estudo e muita atenção, pois não há espaços para improvisações. Existem normas, técnicas e trabalhistas.

Neste campo, o clube possui algum plano?

Da mesma forma, o sistema de segurança também será de última geração. Câmeras de alta definição, funções de proximidade, rotação, salas de controle com a máxima segurança, possibilidades de acessos remotos ao sistema, etc…

Observando esses sistemas, perguntamos se a S. E. Palmeiras fará o compartilhamento com a infra-estrutura presente na Arena ou instalará tecnologia similar no clube social a fim de disponibilizar para a gestão do clube e associados os mesmos modernos benefícios presentes na Arena?

E a respeito das instalações do clube social similares aquelas instaladas na Arena que demandam prestações de serviço e manutenção dos novos equipamentos, a S. E. Palmeiras fará negociações em conjunto com o parceiro a fim de que as duas partes possam ser beneficiadas? Exemplo: elevadores dos prédios administrativos e poliesportivo.

Controle de Acesso

Sabemos ser interesse tanto da S. E. Palmeiras como da construtora que a função multiuso do estádio tenha confiabilidade e traga conforto aos usuários. Dentro deste conceito o sistema de controle de acesso assume um importante papel. Funções de gerenciamento on-line, diversidade de possibilidades para aquisição de ingressos e catracas de última geração são funcionalidades deste sistema. A fim de que estes benefícios estejam presentes, perguntamos se a S. E. Palmeiras abandonará velhas práticas no quesito bilheteria e se juntará ao parceiro visando a disponibilização de um sistema único, confiável, auditável que atenda aos interesses do seu torcedor e possibilite um melhor controle desta receita?

Operação

Perguntamos se a S. E. Palmeiras tem realizado junto a WTorre um trabalho de integração a respeito dos detalhes dos diversos sistemas de comunicação, segurança, controle de acesso, entretenimento, etc… não apenas para encontrar soluções que atendam as necessidade de ambas as partes, mas também olhando a operação que certamente agregará terceiros como órgãos de segurança municipais (PMSP, bombeiros) e saúde?

Agradecemos a atenção e nos colocamos a inteira disposição e aproveitamos também para solicitar uma reunião coma Comissão de Obras da Arena para abordar estes temas, sempre com a intenção de agregar valor a esse maravilhoso projeto.

Atenciosamente,
GRUPO FANFULLA

Comissão Arena: Resultado da reunião com a WTorre

Postado em: Colunas | por: Claudio Baptista Jr |

Texto de Claudio Baptista Jr.

No último dia 22 o grupo Fanfulla teve a oportunidade de conversar com o representante da WTorre, Rogério Dezembro, que gentilmente nos trouxe informações sobre a Arena baseadas nos nossos questionamentos listados anteriormente aqui:

http://blog.fanfulla.com.br/2011/09/07/comissao-arena-reuniao-com-wtorre/

Abaixo as informações por assunto.

Gramado
Será instalado o gramado nos padrões FIFA em dimensões (105x68m), porém a intenção é permitir que um gramado maior possa ser construído.
Essa possibilidade já está confirmada, mas ainda não se pode definir com exatidão o tamanho máximo.

A construtora realizou contatos com empresas especialistas na instalação e manutenção do gramado. Existe uma grande atenção neste sentido para definir qual tipo de gramado,  procedimentos e técnicas de conservação e manutenção serão utilizados.

Preocupação foi demonstrada no cronograma da instalação, pois a área do campo será utilizada por muito tempo para a construção das arquibancadas e existe um gargalo para liberar a área visando a instalação do gramado para que o mesmo esteja em perfeitas condições na inauguração.

Coincidentemente, nos foi mostrado um material sobre o gramado misto de natural e sintético. Mesma tecnologia e empresa que apresentada aqui:

http://www.3vv.com.br/index.php?option=com_k2&view=item&id=5374:arenas-gramado-–-misto-de-natural-com-sintetico&Itemid=22

A WTorre está realmente estudando esta solução.

O Gramado não será rebaixado.

Comunicação
O sistema de comunicação da Arena será de última geração. Wi-fi e conteúdos exclusivos gerados ao vivo estarão disponíveis e as negociações já se iniciaram com grandes empresas.

O sistema também deverá realizar interface com o sistema de segurança do estádio, pois esta é uma função absolutamente necessária.

Infelizmente a S. E. Palmeiras ainda não realizou tratativas ou expos interesse em utilizar o mesmo sistema, ter interface ou tecnologia similar a ser utilizada no clube social.

Segurança
Como no item anterior, o sistema será de última geração. Câmeras de alta definição, funções de proximidade, rotação, salas de controle com a máxima segurança, possibilidades de acessos remotos ao sistema, etc…

De igual forma ao sistema de comunicação, a S. E. Palmeiras ainda não realizou tratativas ou expos interesse em utilizar o mesmo sistema, ter interface ou tecnologia similar a ser utilizada no clube social.

Obs: nem para a manutenção dos elevadores que serão instalados no clube social (prédio administrativo, quadras) a S. E. Palmeiras demonstrou interesse em utilizar a mesma empresa.

Controle de Acesso
Realmente a intenção é que nossa Arena seja muito bem equipada. É de interesse da construtora que a função multiuso do estádio tenha confiabilidade e traga conforto aos usuários. Funções de gerenciamento on-line, diversidade de possibilidades para aquisição de ingressos e
catracas de última geração estão nos planos.

Entretanto, foi identificada uma área cinzenta. A Wtorre comercializará uma quantidade de cadeiras da Arena como forma de locação (ex: anual) e a receita de bilheteria destas e de todo os outros locais da Arena são da S. E. Palmeiras. Acontece que o clube pretende ter, ou já tem, acordo com outra empresa para a o sistema de bilhetagem e controle de acesso. Isso, interfere diretamente na tecnologia e gerenciamento a ser implementada em todo o complexo. Corremos o risco de nos jogos do Palmeiras, tenhamos um sistema de ponta a disposição de determinados setores e a falta de controle, confiabilidade, conforto e respeito ao torcedor nas demais áreas da
Arena.

Segue a sugestão para a S. E. Palmeiras abandonar velhas práticas no quesito bilheteria e juntar-se ao parceiro visando a disponibilização de um sistema único, confiável, auditável que atenda aos interesses do seu torcedor e possibilite um melhor controle desta receita.

Esse é um risco enorme e vocês já podem facilmente identificar os potenciais problemas.

Entretenimento
O painel a ser instalado no estádio também poderá transmitir conteúdo gerado on-line, imagens para entreter o público, interface com o sistema de comunicação do estádio e espaços para vinculação de propaganda auxiliando também na obtenção de receitas.

A princípio o telão não será aquele do tipo central com 4 faces voltadas para todos os lados do campo devido ao peso do equipamento. Assim, deveremos ter 2 telões instalados em cada lado dos gols do campo.

Ainda não se sabe exatamente suas dimensões, mas certamente será de grande definição de imagem e eventual incidência solar não deve interferir na qualidade da imagem.

Meio ambiente
A Arena será certificada LEED. Tanto sua construção como operação e gerenciamento deverão respeitar os requisitos descritos nesta norma para que o complexo mantenha a certificação durante os anos.

Ainda não se sabe exatamente qual o nível de certificação que será alcançado (ex: Platinium, Gold). Está em estudo um sistema de geração de energia que se instalado, no mínimo a Arena já garantirá a certificação Gold.

Sistemas de controle de uso de recursos naturais como a água também estarão disponíveis. A própria certificação LEED exige.

Gerenciamento e controle de resíduos (embalagens, copos, comida, etc…) também deverá ser instalado. Algumas empresas interessadas já procuraram a construtora.

Clube social
Na parte da Arena que estará do lado da rua Padre Antônio Thomas, abaixo das arquibancada será uma extensão do estacionamento. O estacionamento estando mais “espalhado” permitirá que torcedores acessem seus setores de cadeiras de forma mais rápida.

O clube ainda não definiu totalmente o layout e aspectos de infra- estrutura necessária dos prédios e instalações novos (prédio administrativo, poliesportivo e edifício garagem).

Atualmente existe um impasse que já está afetando o cronograma da obra. Refere-se a SAUNA.

O projeto global atingiu o limite de área construída e na parte que se refere aos vestiários, não foi prestada pelo clube, conhecedor das suas instalações, a devida atenção a sauna que normalmente fica próxima ou dentro do mesmo. Agora, existe a necessidade de instalá-la
e não se sabe exatamente onde. Esta indefinição junto a transferência definitiva dos vestiários da piscina impede a demolição de parte das arquibancadas (antiga parte dos visitantes). Nota-se que a parte central onde ficava o setor Visa já foi totalmente derrubada e limpa. Ainda falta esta parte dos visitantes para abrir nova frente de construção.

Pois é, meus amigos, novamente o clube social se sobrepondo ao bom andamento das obras.

Cadeiras e Stehplatz
Este sistema de cadeiras removíveis é muito bem visto e está nos planos de instalação. Já foram identificadas empresas com possibilidade de fornecimento.

A dúvida atual refere-se ao local onde serão armazenadas as cadeiras quando retiradas. Como citado acima, existe um limitador que é a área construída. As análises giram em identificar algo interno que não impacte na área construída ou em algum local externo ao complexo.

Caso seja encontrada esta área, a WTorre também abre interesse em instalar o Stehplatz nos dois lados dos gols da Arena. Em função da limitação encontrada para a armazenagem, hoje apenas o setor atrás do gol das piscinas está mais certo para a instalação.

Fosso
O fosso do Palestra permanecerá e será usado apenas para circulação interna, não aberto ao público em geral.

A diferença é que sua largura será menor. Como modo de segurança, estuda-se a colocação de uma espécie de fechamento com  grade a fim de evitar que uma eventual queda de torcedor possa ter conseqüências mais graves.

A separação do público com o gramado deverá se dar através do uso de placas transparentes de policarbonato.

Particularmente, gostaria que não houvesse este tipo de separação. Talvez procedimentos de vigilância possam minimizar os riscos de invasões. Sabemos que quando o torcedor é tratado com respeito, sendo exatamente isso que também se pretende com a Arena, são menores as
ações de vandalismo.

Inclinação das arquibancadas
Será feita nova inclinação das arquibancadas inferior como a nova superior. Tanto é que a única parte que restará do atual/antigo Palestra que é a curva da ferradura terá sua inclinação corrigida para acompanhar a estrutura a ser construída.

A arquibancada inferior estará mais próxima do campo de jogo em função do que foi mencionado acima a respeito da menor largura do fosso. Ótimo, maior pressão.

Bancos de reservas
Ratificamos nossa preocupação quanto ao fato do banco de reservas nos padrões FIFA serem mais altos e com maior potencial de gerarem pontos cegos.

Entretanto, nossa Arena é padrão FIFA e este obstáculo está sendo analisado. Ainda que os bancos de reservas interfiram nos locais logo atrás dos mesmos, estas localidades não deverão conter assentos, possivelmente transformadas em áreas de serviços e não acarretarão em
diminuição da capacidade de público.

Cobertura do anfiteatro
Como no item anterior, colocamos novamente sob atenção as eventuais interferências da cobertura do anfiteatro em relação ao gramado, podendo criar zonas de menor incidência solar ou interferir na secagem ou então no estado do gramado (parte do gramado seco e outra molhada) após chuvas.

Como resposta tivemos que os engenheiros da WTorre estão atentos a todos os detalhes construtivos e esta cobertura não foge das análises.

Transmissão
A WTorre é a única entre as conceptoras dos projetos de estádios no Brasil que demonstrou preocupação em realizar um projeto adequando as necessidades dos meios de comunicação e transmissão.

Foram realizadas reuniões, por exemplo, junto a rede Globo e a resposta obtida foi que o necessário para a emissora seriam pontos de transmissão bem localizados, com estrutura de comunicação com estacionamento para os carros de transmissão o mais próximos possíveis
e leitos para cabos que facilitem a instalação dos equipamentos, porém, não existe a necessidade de instalar algum sistema dedicado (ex: algo como plug and play), pois além da tecnologia evoluir rapidamente fazendo com que a instalação atual possa ter pouco tempo
de vida, a emissora não pode abraçar os riscos de estar “pendurada” em sistemas de terceiros, ainda que a manutenção dos mesmos seja impecável.

Um detalhe que demonstra a exigência de cuidados é em relação as transmissões internacionais. As placas de publicidade para os anunciantes estrangeiros ficam de um lado do campo enquanto que os nacionais, do outro. Assim, deve-se prever o mínimo de postos de
transmissão do outro lado do campo observando-se os detalhes acima. Existem alguns estádios no Brasil onde já existem espaços similares, porém normalmente são usados um lado do campo para a transmissão pelas emissoras de TV e o outro pelas emissoras de rádio.

Projetistas que não observarem estes detalhes correm o risco de na operação terem que “matar” alguns camarotes ou cadeiras.

Operação do Equipamento
Desnecessário dizer que a S. E. Palmeiras ainda não se aproximou da WTorre procurando se integrar dos detalhes dos diversos sistemas de comunicação, segurança, controle de acesso, entretenimento, etc… não apenas para encontrar soluções que atendam as necessidade de ambas as partes, mas também olhando a operação que certamente agregará terceiros como órgãos de segurança municipais (PMSP, bombeiros) e saúde.

É isso aí. Claro que novas perguntas podem e deverão surgir e esperamos que a WTorre possa sempre nos receber de igual forma e atenção.

Os jogos de formação

Postado em: Colunas | por: Leandro Beguoci |

Assim como qualquer outra arte, apreciar futebol não é uma coisa assim, que permanece sempre igual. Quem gosta de literatura tem sua época dos russos do século 19 e dos neorealistas italianos do século 20. Na música, depois de anos de Mozart chega a hora de aceitar Gustav Mahler. No futebol é a mesma coisa: tem aquela fase em que você gosta mais do jogo com três zagueiros ou com três volantes a Galeano. Todo mundo passa pela fase dos pontas e dos alas, aceitando como profissão de fé que só existe futebol nos lados do gramado. E pouca gente deixou de se render aos volantes que saem para o jogo. O Brás Cubas, do Machado de Assis, poderia ter sido técnico em vez de criar o emplastro. Ele entendeu por que o Felipão é o Felipão: o futebol, assim como a vida, não funciona com ideias fixas. Um dia você joga com o Dinho. Em outro time, você joga com o Alex.

Apesar disso, claro, todo torcedor tem um estilo predileto – assim como existem as pessoas que gostam mais de um tipo de música, de um estilo literário, de um grupo de diretores de cinema, o que não a impede de gostar, óbvio, de outras coisas, de apreciar outras canções. Uma torcida reúne torcedores com um jeitão parecido, que acreditam a maior parte do tempo nas mesmas coisas. O Palmeiras pode jogar com dois ou três zagueiros, mas é inadmissível que o zagueiro viva só de vontade, como é no time da marginal. Apreciamos camisas dez, sete ou trinta que gostem tanto de driblar o oponente quanto de flertar com o cartão vermelho. Talvez o palmeirense seja, antes de tudo, um regente de uma orquestra de música contemporânea, obssessivo em escutar a beleza extraída do caos. A música pode ser a Luxemburgo ou a Scolari.

Existem vários indícios, e o exemplo que mais me surpreende são os jogos de formação, os jogos que você assiste e começam a formar seu caráter, seu jeito de torcer, quando você percebe claramente a diferença entre Evair e os outros centroavantes, entre César Sampaio e todos os outros camisas cinco. E faz isso sem refletir: apesar de todos os comentaristas dizerem que eles lembram fulano, ciclano ou beltrano, você sabe intuitavemente que eles são diferentes, que são melhores em uma série de fatores que só são importantes para a torcida do Palmeiras. Valdivia e Kleber são só dois casos recentes de uma história farta. Marcos é a exceção.

Volto aos jogos de formação. Dia desses, durante o programa do Fanfulla, na rádio Estação Palestra, o Conrado fez uma enquete sobre os jogos mais marcantes de cada um dos participantes. Quase todo mundo citou uma partida em que o Palmeiras tinha jogadores espetaculares e que teve alguma confusão ou as condições eram adversas. Se fosse a torcida do time do Jardim Leonor, certamente teriam citado a goleada do Palestra sobre o Boca Juniors – mas, não. O jogo mais citado foi a final de 1993, que apresentou o Palmeiras para uma geração de torcedores. Foi um jogo que definiu gostos: centroavante bom lembra Evair, volante, Sampaio, zagueiro, Antonio Carlos. E jogo histórico tem confusão, jogador expulso e uma boa dose de pimenta. Assim como para meu pai nunca houve um centroavante como Cesar e, para meu avô, um goleiro a exemplo de Oberdan. Para meu avô, o maior jogo do Palmeiras não foi um dos tantos da academia, mas a partida de 1942 na qual o Palestra manteve seu estádio, quando mudou de nome, E, para a minha irmã caçula, Valdivia é inseparável da camisa dez. E jogo de formação, a semifinal contra o Unidos Vila Sônia, no Paulista de 2008.

São jogadores que não importa onde eles jogaram antes ou depois – eles sempre serão identificados com o Palmeiras. Assim como Marlon Brando é o eterno Don Corleone, Edmundo sempre será o Animal e Ademir, o Divino. As partidas, por mais diferentes que sejam entre si, por mais que aconteçam em épocas diferentes, com times que às vezes não tem nada de parecido um com outro, preservam alguma coisa de clássico. Você vê e simplesmente sabe que são inesquecíveis. Nos dois casos, jogadores e jogos, eles formaram gostos porque se encaixam perfeitamente neste mosaico que é o Palmeiras que, com toda a sua diversidade, permanece verde e branco ao som insistente das cornetas e dos aplausos. O Palmeiras continua formando gerações de torcedores porque também não tem medo de mudar.

MUNDIAL INTERCLUBES – A CHEGADA

Postado em: Colunas | por: Luiz Mousinho |

Amigos, vamos deixar de lado um pouco a política do clube e nos deliciar com a íntegra do texto escrito por Dorival Bertaglia, testemunha ocular da chegada dos jogadores palmeirenses após vencerem o título mundial de 1951.

A emoção do texto e o clima narrado por Dober, como Dorival é conhecido, não deixam dúvida de quem é o primeiro clube brasileiro campeão mundial.

“MUNDIAL INTERCLUBES – A CHEGADA

Por Dorival Bertaglia*

O personagem desta história não sou eu, é meu nono – o velho Chico – a quem quero render aqui minhas homenagens por tudo que fez por mim e pelo fato de ter me tornado palmeirense. O outro personagem é o Palmeiras, claro!

Corria o ano de 1951. Eu tinha 11 anos. O Palmeiras já tinha vencido o campeonato paulista de 1950 – o do Ano Santo – e estava embalado por essa conquista, com um excelente plantel. Esclareço que não existia à época campeonato brasileiro; então a conquista do paulista era o píncaro.

O cenário em que vivia era o Brás, próximo ao Largo da Concórdia, onde residia com meus pais e meus avós; lá, à época, contado um a um, de cada 100 colegas, 90 eram palmeirenses, alguns corinthianos e dois são paulinos. Famílias de operários que acordavam muito cedo, jantavam pelas 18:00 horas, mas que não dispensavam a conversa entre os vizinhos após o jantar; longos papos sentados em cadeiras colocadas nas calçadas e sempre acompanhadas com alguma música. Flautas e bandolins enchiam de melodias nossos ouvidos.

O desastre da Copa do Mundo de 1950 ainda estava machucando todos os brasileiros, ainda mais que não tínhamos nenhuma grande conquista em qualquer esporte até aquela época. A Copa Rio ia ser disputada e os oitos clubes representavam o que havia de melhor no futebol mundial; seriam duas chaves – uma em São Paulo e outra no Rio de Janeiro. O Palmeiras, como campeão paulista, faria parte da sede paulista junto com a Juventus da Itália, o Estrela Vermelha da Iuguslavia e o Olimpic da França. No Rio ficariam Vasco da Gama – como campeão carioca de 1950 – o Sporting de Portugal, o Austria Viena e o Nacional, que representava o país campeão do mundo do ano anterior – o Uruguai.

O Palmeiras, depois de duas vitórias caiu frente a Juventus, potência mundial, considerado por todos, o favorito para ganhar a Copa. Mesmo assim fomos para o Rio, classificados em segundo na chave paulista para a disputa da fase final da competição. Teríamos que enfrentar o Vasco da Gama – primeiro da outra chave. Parênteses – o Vasco era a própria seleção brasileira. Dos onze jogadores, 9 eram do Vasco. Ganhamos a primeira partida por 2×1, empatamos a segunda – 0×0 e fomos para a final. Contra quem? A Juventus da Itália; ela mesmo!!! A que nos tinha sapecado de 4 x 0 na primeira fase e no Pacaembu. Tínhamos que disputar dois jogos contra a Juventus. No Maracanã! Resultado: ganhamos a primeira de 1 x 0 em 18 de julho e empatamos a segunda quatro dias depois- 2 x 2 – gols de Rodrigues – o Tatu e de Liminha – este gol quase matou o nono Chico….e a mim. Estávamos ouvindo a Rádio Panamericana na sala de casa.

PALMEIRAS – CAMPEÃO MUNDIAL INTERCLUBES – O PRIMEIRO!
LAVAMOS A HONRA DOS BRASILEIROS

Gostaria de fazer alguns comentários sobre o público que assistia a final no Maracanã; Foram 100.933 pagantes, dos quais mais de 40.000 palmeirenses que se dirigiram para o Rio; foram de todo o Brasil, mas principalmente de São Paulo. Esta sim, foi a maior invasão que o Rio de Janeiro assistiu. Muito maior que a invasão corinthiana! Por que? Porque a população era muito menor que na década de 70; porque não existia a indústria automobilística no Brasil; porque raras pessoas possuíam veículos e os meios de transporte eram muito mais precários que à época da festejada invasão corinthiana. De resto fica o agradecimento eterno aos vascaínos que, pela segunda vez na existência dos dois clubes, nos deram o suporte de torcida para alcançarmos o objetivo tão almejado; a primeira foi em 1942 quando quiseram roubar o Parque Antártica, como é de conhecimento geral.

A chegada dos jogadores palmeirenses – Fabio – Salvador – Juvenal e Dema – Túlio e Luis Villa – Lima, Ponde de Leon, (Canhotinho), Liminha, Jair e Rodrigues, mais os seus reservas se deu na Estação Roosevelt, também conhecida como Estação do Norte, próximo ao Largo da Concórdia, muito próximo onde eu morava.

Anoitecia no dia da chegada quando o velho Chico me pegou pela mão e lá fomos nós ver a chegada dos campeões do mundo. E o que vimos? Milhares e milhares de pessoas emocionadas, cada uma com uma folha de palmeira acenando – parecia uma procissão de ramos, o domingo que antecede a Páscoa. Como nosso símbolo é o periquito, muitos pegaram galos e os pintaram de verde, levantando-os sobre a multidão e dizendo que o periquito tinha virado galo. Muitos fogos! Raros deixaram de verter lágrimas.

Como o velho Chico era muito entrão – ele já tinha se jogado em cima do vagão do trem quando o Sacadura Cabral tinha vindo a São Paulo para ser homenageado – depois de cruzar o Atlântico – eu e ele, ou melhor, ele e eu fomos varando a multidão e consegui ficar na frente do Lima e do Luis Villa.

Quase morri de emoção de novo. Dali seguimos a carreata e a andata por inúmeras ruas de São Paulo até o Parque Antártica e por onde a delegação passava era só festa, folhas de palmeiras, galos pintado de verde, papel picado e muitos fogos. Um verdadeiro carnaval em julho.

Bem, para finalizar, devo dizer que aquela noite eu não consegui dormir. Mas valeu!!!!!!! E valeu muito!!!!!”

* Dorival Bertaglia, palmeirense há 70 anos, membro do grupo Fanfulla, testemunha ocular da chegada dos jogadores palmeirenses após o título mundial de 1951.