Palmeiras contrata zagueiro Índio – AE, 17/12/2002

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Abaixo uma nota da Agência Estado sobre uma das primeiras contratações do Palmeiras logo após o rebaixamento em 2002. O zagueiro Índio, então desconhecido, não ficou 6 meses no clube e foi dispensado após desastrosa campanha no primeiro semestre de 2003. O interessante da matéria é a negociação aparentemente sem planejamento algum, apenas pela facilidade de contratação, devido os baixos valores.

Alguma semelhança com o método de gestão atual?

17/12/2002 às 00:32:37
Palmeiras contrata zagueiro Índio
Agência Estado

O primeiro indício de que Levir Culpi não ficará no Palmeiras foi dado ontem. O clube contratou o zagueiro Índio junto ao Juventude sem ouvir o técnico. Foi rompida assim a promessa do presidente Mustafá Contursi de que “só acertaria a chegada de novos jogadores depois de ouvir a avaliação do treinador”.

A contratação foi muito fácil, como o presidente do Palmeiras gosta. Índio é dono do passe e seu salário era baixo para um clube grande. De acordo com o jornal O Pioneiro, de Caxias do Sul, recebia R$ 10 mil mensais. Não foi difícil pagar o dobro para tê-lo por um ano. Em segredo, o zagueiro fez ontem exames médicos em São Paulo. E foi aprovado.

Mustafá também entrou em contato com Edmundo. Mas a conversa não evoluiu. Como o salário oferecido foi inferior ao de Zinho e Dodô, o atacante não quis nem discutir e voltou a conversar com empresários representando clubes japoneses.

O presidente do Palmeiras, candidato à reeleição em janeiro, continua atrás de reforços baratos para o clube, especialmente um lateral-esquerdo. Vários empresários buscam um jogador que preferencialmente seja dono do passe. Assim fica mais fácil para Mustafá convencê-lo a ganhar menos.

Privatização do Palmeiras dá superpoderes a Contursi – FSP, 16/12/2000

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Mais um capítulo de como o Palmeiras foi gerido por Mustafá Contursi. Aproveitando-se do encerramento do contrato da co-gestão com a Parmalat, criou um clube-empresa, transferiu capital, nomeou-se presidente assalariado, sócio majoritário, e com poderes supremos.

Privatização do Palmeiras dá superpoderes a Contursi
*FERNANDO MELLO*
DA REPORTAGEM LOCAL

*JOSÉ ALBERTO BOMBIG*
DO PAINEL FC

A criação sigilosa da empresa Palmeiras Futebol Ltda. deu poderes quase absolutos ao presidente da Sociedade Esportiva Palmeiras, Mustafá Contursi, sobre os negócios envolvendo o clube. A empresa privada de capital fechado, que teve sua criação revelada pela Folha em sua edição de ontem, foi aberta em 27 de dezembro de 1999 e tem um capital de quase R$ 45 milhões, o que a colocaria entre as 300 mais ricas do país de acordo com ranking do jornal “Gazeta Mercantil”.

A Sociedade Esportiva Palmeiras é a sócia majoritária da Palmeiras Futebol Ltda.. Do total de capital atual da empresa – R$ 44.702.023-, ela tem direito a R$ 44.702.018. Os outros R$ 5 da empresa são divididos igualmente entre os cinco sócios minoritários: o próprio Mustafá Contursi e quatro vice-presidentes da Sociedade Esportiva Palmeiras -Affonso Della Monica Netto, Luiz Augusto de Mello Belluzzo, José Cyrillo Júnior e Luiz Carlos Pagnota. Como Contursi representa a parte majoritária -foi indicado pelo clube como gerente-delegado da empresa-, ele pode tomar qualquer decisão sem precisar do aval dos outros sócios.

De acordo com as cláusulas 9 e 10 do contrato social da empresa, registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo, Contursi tem, sozinho, poderes para:
1) “(…) representar a sociedade ativa e passivamente, judicial e extrajudicialmente; (…)”
2) “(…) transigir, renunciar, desistir, firmar compromissos, confessar dívidas, fazer acordos, contrair obrigações, celebrar contratos, outorgar mandatos e adquirir, alienar e onerar bens (…)”.

A criação da empresa, que administra 20 passes de jogadores que pertencem ao clube, possibilita ainda a Contursi tomar qualquer decisão sobre os quase R$ 45 milhões acumulados até agora sem precisar submeter ao Conselho Deliberativo seus resultados financeiros nos balanços anuais. Mas o poder de Mustafá Contursi não se restringe apenas ao aspecto financeiro. A partir de agora, o presidente palmeirense decide quais torneios o time de futebol vai disputar, com que outras empresas o clube vai se associar e pode até passar a outros os direitos sobre a marca Palmeiras. O dirigente também pode aumentar seu salário por representar o clube na sociedade -seu cargo é remunerado.

Procurado pela reportagem, o presidente do Conselho Deliberativo do clube, Cláudio Mezzaranne, não quis se manifestar sobre a privatização palmeirense nem sobre a diminuição do poder do órgão que dirige. A interlocutores, no entanto, Mezzaranne disse ter ficado revoltado com o aporte financeiro destinado à empresa em 26 de setembro -a firma foi aberta com capital de R$ 10 mil e teve um incremento de R$ 44.692.023 há dois meses. Segundo a Folha apurou, não havia sido revelada ao Conselho o valor do aporte de setembro.

A revelação do patrimônio da empresa causou mal-estar também no clube. Um membro do Conselho, que preferiu não se identificar, disse que o órgão sofreu uma “rasteira”. Por causa da inexistência de uma oposição forte ao atual presidente, no entanto, o quadro sucessório no Palmeiras não deve ser alterado. Nas eleições marcadas para janeiro de 2001, Contursi é, por enquanto, candidato único à presidência e não deve ter adversários para seguir no cargo que ocupa há mais de sete anos.

Ontem, o dirigente voltou a ser procurado para comentar a abertura da Palmeiras Futebol Ltda., mas não foi localizado. O ex-presidente do clube Carlos Bernardo Facchina Nunes defendeu a atitude da atual diretoria de abrir a empresa. Bastante nervoso, o dirigente, responsável pelo acordo feito com a multinacional Parmalat em 1992, disse que a privatização do clube é lícita. “Foi aprovada pelo Conselho e não foi divulgada porque o Palmeiras não deve satisfações nem à imprensa nem a ninguém. É um absurdo publicar essa informação em meio a uma CPI. O Palmeiras é um clube limpo, que faz seus negócios sempre com lisura.”

Novo estatuto torna oficial a censura no Palmeiras, FSP – 15/01/2004

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Percebendo, desde a queda de divisão em 2002, movimento de torcedores se associando ao Palmeiras, em 2004, último ano de seu mandato, Mustafá consegue alterar o estatuto para oficializar a censura e a tão conhecida “lista negra”. Além disso, aumentou a carência para o sócio votar, desmotivando o torcedor comum a tornar-se sócio. Veja no último parágrafo.

São Paulo, quinta-feira, 15 de janeiro de 2004
Novo estatuto torna oficial a censura no Palmeiras
FERNANDO MELLO
DO PAINEL FC

O novo estatuto do Palmeiras, bloqueado pela Justiça comum na semana passada, oficializa a censura no Parque Antarctica e dá à diretoria poderes para expulsar do clube sócios que fizerem críticas à administração.
Com maioria folgada no Conselho Deliberativo, os advogados da situação esperam derrubar no Tribunal de Justiça a liminar obtida pela oposição para implantar a “Constituição palmeirense”, que coloca o clube de acordo com a Lei Pelé e com o Código Civil.
A Folha teve acesso ao documento, que permite ainda a inclusão da Sociedade Esportiva Palmeiras como única sócia da Palmeiras S.A., empresa criada por Mustafá Contursi sem aval preliminar do Conselho Deliberativo.
Os trechos mais polêmicos do novo estatuto dizem respeito à possibilidade de a Diretoria Executiva (presidente e os quatro vices) eliminar, “por justa causa”, sócios que comete rem falta grave.

Segundo o artigo 33, é classificado como grave as seguintes infrações: “acusar, publicamente, qualquer autoridade da SEP ou criticar ato da administração”, “apresentar-se dentro da SEP, para prática desportiva, com uniformes ou trajes diversos daqueles determinados pela Diretoria Executiva” e “manifestar-se contra a SEP nas competições desportivas”, entre outras.
No estatuto anterior, aprovado em 16 de dezembro de 1996, essas práticas já estavam vedadas aos sócios. A diferença é a inclusão, no novo código, do seguinte parágrafo: “A infração a qualquer dispositivo contido neste artigo por qualquer associado constitui justa causa para a exclusão do infrator do quadro associativo”.
Na campanha que antecedeu a última eleição do clube, no início de 2003, Contursi suspendeu dois sócios ligados à facção Muda Palmeiras, que trajavam camisa da oposição. Os dois foram à Justiça e anularam a punição.
Questionado pela Folha se a nova redação não oficializava a censura no Parque Antarctica, Antônio Carlos Corcione, diretor jurídico palmeirense, concordou. “Em nove meses de trabalho, ninguém tinha falado disso. Tendo a concordar com você, é esquisito mesmo. Me comprometo a levar aos conselheiros sua visão e, se eles concordarem, retiraremos o parágrafo único”, afirmou.
O advogado, no entanto, disse que o estatuto não aumenta o poder do presidente. “Ao contrário. Antes, ele poderia suspender um sócio por até um ano. Era uma coisa abusiva. O máximo, agora, são apenas 60 dias.”
Outro ponto da “Constituição palmeirense” que irritou a oposição foi o aumento da carência para que o sócio tenha direito a voto -passou de um para três anos.
Na prática, isso significa que o grupo de Mustafá Contursi tem tudo para seguir no poder, mesmo se o presidente se afastar, como prometeu. “O colégio eleitoral será o mesmo de 2003. E é justo que seja, até para evitarmos a adesão de sócios que nunca pisaram no clube e que só vêm aqui para votar”, diz Corcione.

Mustafá Contursi reprova Arena Palestra – Globoesporte.com, 28/04/2011

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Mustafá Contursi reprova Arena Palestra: ‘Tomara que pare a obra’
Influente no Palmeiras, ex-presidente discorda de construção do estádio nos moldes feitos pela WTorre. Para ele, houve má fé da gestão de Belluzzo
Por Diego Ribeiro e Juliano Costa

Crítico ferrenho da construção da Arena Palestra nos moldes propostos pela WTorre – com anuência da diretoria anterior, comandada por Luiz Gonzaga Belluzzo -, o ex-presidente do Palmeiras Mustafá Contursi sugere que as obras sejam paralisadas imediatamente. Ainda com enorme influência dentro do clube, o ex-presidente quer a revisão de vários pontos do contrato firmado com a WTorre. E diz que, caso a empresa não concorde, a saída pode ser judicial – mesmo que, para isso, “a comunidade palmeirense” tenha de arcar com os custos da reforma de um estádio que, hoje, está quase todo no chão.

Pelo contrato, a WTorre se compromete a bancar todo o investimento na Arena, orçada em R$ 300 milhões, mas fica com parte de todos os lucros gerados – renda de jogos, eventos, shows, venda de cadeiras, camarotes, etc. – por 30 anos. Mustafá quer reduzir isso pela metade. Nos cálculos do ex-presidente, a WTorre já vai recuperar todo o investimento em ci nco anos.

Para Mustafá, a empresa e a antiga diretoria do clube agiram de “má fé” ao pressionar conselheiros e sócios a votarem pela aprovação do contrato. Mais de 80% se posicionaram a favor. Mustafá credita isso a uma “gigantesca estratégia de marketing”, criada para explorar o anseio da torcida em ter um estádio moderno “a qualquer custo.” Em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM, Mustafá defendeu seus pontos de vista.

Que pontos o senhor gostaria que fossem revistos no contrato?
Primeiro o prazo. Outra questão é aquele desastre todo dentro do clube. O cronograma não foi respeitado, é um absurdo, só isso já era suficiente para desqualificar a empresa. Primeiro deveriam mexer nas áreas sociais para depois iniciar a demolição.

Mas o cronograma foi afetado por fatores alheios à vontade da empresa. Foram pelo menos dois anos para conseguir a liberação da Prefeitura.
E como você vai confiar numa empresa que não sabe que a Prefeitura demora dois anos para liberar uma planta? Ela demora oito meses para liberar a planta de uma casa! (A WTorre) propõe um cronograma desses, engana 15 milhões de torcedores e agora quer bater na gente. Estão fazendo chantagem, mas não vamos nos acovardar em busca dos nossos direitos e convicções. Tudo está voltado para a ameaça. Vamos parar a obra? Ótimo! Tomara que pare a obra! Como não sabiam que demoravam dois anos e meio para aprovar um projeto?

Quando o cronograma foi apresentado, ninguém questionou isso?
Mandamos para todos os associados um documento para o debate. Queríamos debater. Não houve debate. Na minha opinião, 80% dos conselheiros que aprovaram não tiveram conhecimento de cronograma, nada disso. Houve uma publicidade que levou a mensagem dizendo que era a modernidade, o futuro, que tínhamos de lutar por isso. Era a manifestação geral. Não estávamos contra, mas faltou o debate. Hoje o clube gasta milhares de reais para ter atividades fora do clube. Perdemos associados a cada mês. De janeiro para cá está acontecendo isso, são quase 3 mil a menos. Caiu de 13.160 para 10.830 em três meses.

O senhor acha que houve má fé da empresa? Da diretoria anterior?
De 80% daqueles que aprovaram, não.

E dos que apresentaram o projeto?
Sim, sem dúvida nenhuma.

Mas má fé da empresa ou da diretoria que comandou o negócio?
Acho que houve cumplicidade. Se os debates se estendessem, a relação de acordo não seria da forma como interessava para a empresa. Aquela ansiedade de ter um estádio moderno, ter Copa do Mundo… Tudo isso que está feito para ter dois jogos de Copa do Mundo não vale o risco.

Mas o presidente Belluzzo sempre falou que não era para ter Copa. O projeto para 45 mil lugares não previa isso…
Com 45 mil daria para ter. Os publicitários formadores de imagem falaram inclusive que iam trazer a Itália para jogar aqui.

Para treinar, não?
Não, jogar.

Não, senhor. Nunca falaram em jogos de Copa. A ideia era trazer a Itália para treinar no novo estádio.
Que seja.

É diferente.
Treinar é no Centro de Treinamento, está bom, não tem importância. Mas ouvi muitas vezes que teria jogo da Itália. Bem, isso é insignificante. Enfim, quem assinou não agiu levianamente, mas agiu sobre o impacto da ansiedade de ter uma nova arena. Achavam que não podiam dizer não.

Foi tudo precipitado, então?
Claro, por isso pedimos o debate. Provei em uma reunião que em cinco anos a empresa recupera o investimento. Em 15 anos seria um contrato muito interessante, que era o nosso projeto inicial.

De qualquer forma, o projeto foi votado e passou. O senhor foi voto vencido.
Houve etapas não cumpridas. Sou intransigente na defesa dos interesses do clube. Há um dispositivo no Código Civil que diz que você pode contestar acordos em que há desequilíbrio entre as partes. Temos de lutar para melhorar a relação do Palmeiras, ou com essa empresa, ou com outra que vier…

O senhor falava em construir a Arena, mas não conseguiu e recebe muitas críticas por isso. Desde os anos 90 há essa expectativa em torno do novo estádio.
Foi por isso que houve aquela ansiedade que eu disse. Reconheço a responsabilidade que nós tivemos, mas já tínhamos começado o prédio de camarotes (do lado direito das cabines de TV, perto das piscinas). Era só demolir o restaurante e abrir os 149 camarotes, o dinheiro estava lá. O plano estava sendo seguido. Não estou comparando gestões. Não aconteceu? Paciência. Mas não é por isso que vai acontecer da pior maneira para o clube.

O presidente Arnaldo Tirone o consulta antes de decisões sobre a Arena?
Tenho colaborado pontualmente, como colaboraria em qualquer gestão. Minha manifestação é dentro do COF (Conselho de Orientação e Fiscalização). O Tirone anda muito ocupado, por todos os problemas que o Palmeiras está enfrentando.

O senhor acha que as obras podem mesmo ser paralisadas?
Paralisar a obra não, porque aí o Palmeiras teria de tomar providências para finalizar isso de outra forma.

Mas no início da entrevista o senhor disse: “Tomara que pare a obra”.
Se for decisão deles, tomara que pare e vamos discutir. O Palmeiras não vai parar, vai procurar seus interesses, com eles (WTorre), ou com outros, ou com a própria força.

Se fosse para a Justiça, a empresa estaria muito bem respaldada, não? Afinal, está tudo assinado pelo Palmeiras.
Mas eles não estão cumprindo com vários pontos daquilo que foi assinado. E fantasiam muito. Eles falam que o Palmeiras deixaria de gastar R$ 9 milhões por ano nos jogos, mas provei no Conselho Deliberativo que são R$ 3 milhões.

O senhor tem dito que a WTorre poderia recuperar em cinco anos todo o investimento feito na Arena (R$ 300 milhões) e o que viesse depois seria lucro para eles (por 25 anos). Como chegou a esse cálculo?
Veja, nos cinco primeiros anos de cessão, o Palmeiras receberia 5% dos direitos de todo o faturamento da Arena. Em números redondos, seriam R$ 15 milhões. Para que o Palmeiras receba pelos 5% esse valor, quanto seria esses 95%?

R$ 285 milhões…
Isso, e esse número foi produzido por eles (Mustafá apresenta um prospecto feito pela própria empresa, mostrando o quanto o novo estádio renderia por ano). São números deles. O Palmeiras também receberia 20% sobre locações para jogos, shows, restaurante, lanchonete, academia, eventos… Nos primeiros cinco anos, 20% totalizam R$ 19 milhões. A WTorre receberia 80%, quatro vezes esse valor.

Por volta de R$ 76 milhões…
Sim. Some is so aos R$ 285 milhões e dá R$ 361 milhões. Ou seja, em cinco anos eles já pagaram o estádio.

Mas é um investimento da empresa, que está entrando com um dinheiro que o clube não tem para construir algo que o clube sempre quis. Natural que a empresa vá querer a contrapartida o mais rápido possível e o lucro por mais tempo, não? O Palmeiras concordou. O contrato está assinado.
Sim, não estou discutindo o que eles fizeram, mas sim o que o Palmeiras fez. O que levou a fazer um negócio desses aí? A empresa não iria achar ruim, claro. Mas estou falando do equilíbrio entre as partes. São R$ 361 milhões em cinco anos para eles. E a gente?

Promotoria apura fraude no Palmeiras – FSP, 18/10/2008

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Ministério Público investiga suspeita de esquema de notas frias; testemunhas falam em compra de dólares e de árbitros

  

Caso se estenderia desde a gestão de Mustafá Contursi e teria beneficiado empresas ligadas a pelo menos 16 cartolas do clube paulista

 

 EDUARDO ARRUDA
LILIAN CHRISTOFOLETTI
DA REPORTAGEM LOCAL
 

 RICARDO PERRONE
DO PAINEL FC

O Ministério Público paulista investiga suposto esquema de emissão de notas frias no Palmeiras. De acordo com o órgão, o clube teria sido lesado ao menos entre 2001 e 2004.

Três dos depoentes afirmam que a operação envolveria compra de dólares e de juízes.

Foi aberto um procedimento criminal e outro cível para apurar, respectivamente, suposta prática de enriquecimento ilícito e superfaturamento por parte de dirigentes. Todos os citados negam as acusações.

São 16 os suspeitos de enriquecer ilegalmente. Esse é o segundo caso envolvendo notas fiscais num clube paulistano. O primeiro foi no Corinthians, arqui-rival palmeirense.

Nos dois casos, a suspeita principal é a de que o esquema serviria para remunerar dirigentes que, em tese, se dedicam aos clubes voluntariamente.
Por meio de depoimentos de ex-funcionários e de documentos, a Promotoria entende que a emissão de notas frias era prática comum e que há indícios de uso de empre sas fantasmas. Agora o órgão quer saber o tamanho do rombo no caixa.

A primeira acusação foi feita por Carlos Kamal, ex-supervisor do vôlei do Palmeiras, que trabalhou no clube entre 1988 e 2004. Outros dois ex-funcionários da agremiação confirmaram o que foi dito por Kamal.
Em depoimento à Promotoria, Kamal afirmou que, entre 2001 e 2004, “foram praticados crimes de estelionato, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, entre outros”.

De acordo com a versão dele, o esquema começou em 2001, quando o então jogador de vôlei do Palmeiras Talmo de Oliveira “pediu a emissão de nota fiscal para a empresa FT Esportes Ltda. para acerto de Imposto de Renda de R$ 5.000, sem que existisse contrapartida em serviços prestados ao clube”.

O ex-funcionário afirmou ter recorrido a Durval Colossi [tesoureiro do Palmeiras na época], que teria dito que tal operação só poderia ser autorizada pelo então presidente do clube, Mustafá Contursi. Segundo e le, dois ou três dias depois, Colossi autorizou a emissão da nota para a FT Esportes. Cópia da nota, de 6 de junho de 2001, foi entregue à Promotoria.
Dias depois, ainda segundo Kamal, a então diretora do Palmeiras Dirce Pagnotta e Colossi voltaram a procurá-lo pedindo a emissão de outras notas frias por ordem de Mustafá “para a compra de dólares americanos para pagamento a árbitros de futebol profissional”.

O Ministério Público também ouviu Luiz Simões de Oliveira, assistente técnico do vôlei entre 1990 e 2001, que afirmou ter visto “três ou quatro vezes o Talmo na sala do Kamal preenchendo notas frias”. “A informação que tenho é que era para a compra de árbitros a pedido da diretoria, da Dirce [Pagnotta], do Luiz Carlos [Pagnotta] e do Mustafá”, contou em seu depoimento.

Em março deste ano, foi ouvido Paulo César de Aguiar, preparador físico do time de vôlei entre 1995 e 2002.

Em depoimento, Aguiar disse que as declarações de Kamal são verdadeiras e que, por ter dividido a mesma sala de trabalho com o ex-supervisor, presenciou o preenchimento das notas e ouviu que o objetivo era comprar dólares e árbitros.

O ex-supervisor entregou ainda 21 notas à Promotoria, que totalizam R$ 94,78 mil. A suspeita da Promotoria, no entanto, é que o esquema tenha desviado quantia bem maior.

O Ministério Público analisa a situação patrimonial dos 16 membros da diretoria citados e de dez empresas ligadas a cartolas de Mustafá. Na esfera criminal, apura-se se as notas vieram de empresas fantasmas.