Essa matéria mostra que a administração Tirone/Frizzo é a mesma de Mustafá. Há 13 anos víamos nosso atual treinador defendendo os interesses do Palmeiras, enquanto o presidente tentava desautorizá-lo, além de tentar implementar a “política do barato e questionável”. Sorte que àquela época tínhamos a Parmalat na gestão do futebol, que conseguia neutralizar os ataques do presidente.
O supertime de Scolari pode parar em Mustapha.
O técnico e o presidente do Palmeiras não têm concordadado quanto à necessidade de reforços para 99. Felipão quer contratar, Mustapha acha que o time já é bom o suficiente
JT 08/11/1998
Mustapha Contursi, presidente do Palmeiras, precisa conversar mais com Luiz Felipe Scolari. Enquanto o treinador garante que formará um elenco de 27 jogadores de alto nível para 99, Contursi diz que é preciso ter os pés no chão para falar sobre futuros investimentos. As divergências existentes entre o técnico e o dirigente demonstram que está faltando entrosamento na cúpula do Palmeiras.
Mustapha está acabando com os sonhos de Scolari, prometendo muita cautela para a formação do time de 99. Segundo o presidente, o atual elenco tem a qualidade suficiente para disputar as três competições do primeiro semestre: Libertadores da América, Copa do Brasil e Campeonato Paulista. “É importante que todos saibam que se um elenco de alto nível, como quer o nosso treinador Luiz Felipe Scolari, significa alto custo, não o teremos”, disse Mustapha. “Nosso patrocinador está sabendo o que fazer e já temos algumas previsões. Mas ninguém deve imaginar que vamos contratar grandes estrelas por altos preços.”
A Parmalat, parceira do Palmeiras, ofereceu US$ 6 milhões para contratar o centroavante Fábio Júnior, do Cruzeiro. Porém, o clube mineiro recusou a oferta. O atacante do Cruzeiro traduz exatamente o que Scolari entende com a formação de um elenco de alto nível – ao lado de nomes como Alex, Rogério, Paulo Nunes e Zinho. O treinador gostaria de ter, no mínimo, mais quatro estrelas do futebol brasileiro. Entre elas, o volante César Sampaio, do Yokohama Flugels, e o meia Jackson, do Sport.
Mustapha e Scolari não conseguem se entender. As divergências existentes entre os dois já provocaram várias situações embaraçosas, principalmente para o treinador, que é, como ele próprio define, apenas mais um empregado do Palmeiras. Scolari já reclamou, por exemplo, do estado do gramado do Parque Antártica, insinuando que o presidente não estava dando a devida atenção ao patrimônio do clube. Mustapha apenas respondeu que o técnico não deveria falar sobre o que não lhe diz respeito.
Pito do presidente
As infantis discussões entre Scolari e Eurico Miranda, vice-presidente de Futebol do Vasco, também provocaram irritação em Mustapha, famoso pelo seu comportamento discreto e sua peculiar capacidade de se manter afastado de todas as polêmicas que envolvem o clube. “Ele não deve responder a nenhum dirigente. Não é assunto que o nosso treinador deva ficar alimentando”, criticou o dirigente.
Outro tema que acabou assustando Scolari, deixando-o encabulado, refere-se ao complicado calendário do Palmeiras para os próximos dias. Pelas contas do treinador, por mais que CBF encontre boas soluções, o Palmeiras disputará seis ou sete partidas em um intervalo de 15 dias. O técnico gostaria que o clube lançasse mão da mesma lei aproveitada pela direção do Vasco, por intermédio do sindicato dos atletas do Rio, que proíbe um jogador de realizar duas partidas em menos de 60 horas. Mas o presidente já deixou bem clara sua posição sobre o assunto: “O Palmeiras vai honrar todos seus compromissos. Não podemos fugir ao que nos foi designado. Se aceitamos as tabelas do Brasileiro e da Mercosul, precisamos respeitá-la agora.”
O ano de 99 não promete ser diferente. Scolari manterá seu estilo, reclamando de quase tudo que não lhe agrade. E Mustapha permanecerá atento, vigiando com discreção seu funcionário mais rebelde.