Os jogos de formação

Postado em: Colunas | por: Leandro Beguoci | quando: 3 de maio de 2011 |

Assim como qualquer outra arte, apreciar futebol não é uma coisa assim, que permanece sempre igual. Quem gosta de literatura tem sua época dos russos do século 19 e dos neorealistas italianos do século 20. Na música, depois de anos de Mozart chega a hora de aceitar Gustav Mahler. No futebol é a mesma coisa: tem aquela fase em que você gosta mais do jogo com três zagueiros ou com três volantes a Galeano. Todo mundo passa pela fase dos pontas e dos alas, aceitando como profissão de fé que só existe futebol nos lados do gramado. E pouca gente deixou de se render aos volantes que saem para o jogo. O Brás Cubas, do Machado de Assis, poderia ter sido técnico em vez de criar o emplastro. Ele entendeu por que o Felipão é o Felipão: o futebol, assim como a vida, não funciona com ideias fixas. Um dia você joga com o Dinho. Em outro time, você joga com o Alex.

Apesar disso, claro, todo torcedor tem um estilo predileto – assim como existem as pessoas que gostam mais de um tipo de música, de um estilo literário, de um grupo de diretores de cinema, o que não a impede de gostar, óbvio, de outras coisas, de apreciar outras canções. Uma torcida reúne torcedores com um jeitão parecido, que acreditam a maior parte do tempo nas mesmas coisas. O Palmeiras pode jogar com dois ou três zagueiros, mas é inadmissível que o zagueiro viva só de vontade, como é no time da marginal. Apreciamos camisas dez, sete ou trinta que gostem tanto de driblar o oponente quanto de flertar com o cartão vermelho. Talvez o palmeirense seja, antes de tudo, um regente de uma orquestra de música contemporânea, obssessivo em escutar a beleza extraída do caos. A música pode ser a Luxemburgo ou a Scolari.

Existem vários indícios, e o exemplo que mais me surpreende são os jogos de formação, os jogos que você assiste e começam a formar seu caráter, seu jeito de torcer, quando você percebe claramente a diferença entre Evair e os outros centroavantes, entre César Sampaio e todos os outros camisas cinco. E faz isso sem refletir: apesar de todos os comentaristas dizerem que eles lembram fulano, ciclano ou beltrano, você sabe intuitavemente que eles são diferentes, que são melhores em uma série de fatores que só são importantes para a torcida do Palmeiras. Valdivia e Kleber são só dois casos recentes de uma história farta. Marcos é a exceção.

Volto aos jogos de formação. Dia desses, durante o programa do Fanfulla, na rádio Estação Palestra, o Conrado fez uma enquete sobre os jogos mais marcantes de cada um dos participantes. Quase todo mundo citou uma partida em que o Palmeiras tinha jogadores espetaculares e que teve alguma confusão ou as condições eram adversas. Se fosse a torcida do time do Jardim Leonor, certamente teriam citado a goleada do Palestra sobre o Boca Juniors – mas, não. O jogo mais citado foi a final de 1993, que apresentou o Palmeiras para uma geração de torcedores. Foi um jogo que definiu gostos: centroavante bom lembra Evair, volante, Sampaio, zagueiro, Antonio Carlos. E jogo histórico tem confusão, jogador expulso e uma boa dose de pimenta. Assim como para meu pai nunca houve um centroavante como Cesar e, para meu avô, um goleiro a exemplo de Oberdan. Para meu avô, o maior jogo do Palmeiras não foi um dos tantos da academia, mas a partida de 1942 na qual o Palestra manteve seu estádio, quando mudou de nome, E, para a minha irmã caçula, Valdivia é inseparável da camisa dez. E jogo de formação, a semifinal contra o Unidos Vila Sônia, no Paulista de 2008.

São jogadores que não importa onde eles jogaram antes ou depois – eles sempre serão identificados com o Palmeiras. Assim como Marlon Brando é o eterno Don Corleone, Edmundo sempre será o Animal e Ademir, o Divino. As partidas, por mais diferentes que sejam entre si, por mais que aconteçam em épocas diferentes, com times que às vezes não tem nada de parecido um com outro, preservam alguma coisa de clássico. Você vê e simplesmente sabe que são inesquecíveis. Nos dois casos, jogadores e jogos, eles formaram gostos porque se encaixam perfeitamente neste mosaico que é o Palmeiras que, com toda a sua diversidade, permanece verde e branco ao som insistente das cornetas e dos aplausos. O Palmeiras continua formando gerações de torcedores porque também não tem medo de mudar.

UM MAGO O GLADIADOR E O XERIFÃO

Postado em: Blog | por: Marcos Kleine | quando: 28 de julho de 2010 |

Tenho duas impressões bem distintas do momento do Palmeiras.
O lado bom desse momento é sem duvida ver Felipão no banco, Kleber dando o sangue no ataque e agora a volta Del mago Valdivia.
São completamente identificados com o clube, vão nos dar alegrias e são pessoas que a torcida vai ter paciência e compreensão.
Por ventura uma escalação errada não vai mudar o que achamos do Felipão.
Jejum de gols também não vai alterar o respeito e consideração que a torcida do Palmeiras tem pelo Kleber.
Valdivia apagado em alguma partida também não irá fazer a menor diferença.

O lado ruim está no atraso da formação do elenco e a demora nas negociações, que de certa forma é até compreensível.
Com o aquecimento da economia global temos como concorrentes diretos times que disputam o Brasileirão 2010.
Não deve ser nada simples fechar uma negociação com o Valdivia, ainda mais com um time Árabe e em Munique, temos que entender isso, mas desde o começo do ano esperamos um 9/9, zagueiros e reforços de peso vindos da Traffic ou de qualquer lugar que seja.

Por um lado a diretoria acerta na mosca nessa ideia de trazer jogadores que gostam do Palmeiras, por outro lado a falsa impressão de que “nosso elenco é bom” causa um atraso e com que a gente tenha que correr atrás o ano todo na formação de um elenco realmente bom.

Faltou planejamento global, sobrou planejamento pontual, para esse bato palmas, mas onde estão as peças de reposição?
Quem disse que nossa zaga é boa e não precisava de reforços?
Bato nessa tecla aqui desde o começo do ano.
Com a saída do omisso mas bom jogador Cleiton e o nervosinho e individualista Diego Souza existe um buraco no elenco e quem vendeu não trouxe ninguém.
Se for para chegar mais um baladeiro ou criador de caso melhor ficarmos assim mesmo.

Mesmo com a chegada apoteótica do Valdivia tenho que pensar com a razão, o elenco ainda ficará manco e vamos viver na incerteza nesse Brasileirão 2010, mas com boas chances da Sul Americana.

Incerteza pois no futebol nada é 100% certo. Ninguém sabe o que vai acontecer e mesmo falta de elenco, jogadores baladeiros, treinos esporádicos ganham campeonato.
Ou o Flamengo 2009 foi exemplo para alguém?

Muitos podem perguntar, mas é ai Kleine? Não é meio conflitante seu texto? Vc diz que precisamos de reforços, mas de repente indo com que tem podemos chegar lá?

Sim, mas o ponto crucial é que o Palmeiras nunca é campeão com gol cagado ou com ajuda de juiz ou com time mais ou menos.
Sempre que o Palmeiras ganha um titulo é porque tem o melhor time.

Não vamos ter muito sossego sem a chegada de pelo menos 4 reforços, 2 de peso, jogador que a torcida vai ter a certeza que vão encarar a bronca.
Perfil traffic, jogador cachaceiro, jovem e que adora churrasco na madruga não se enquadra nesse novo Palmeiras.

De onde vamos tirar dinheiro e onde vamos achar esses atletas?

Nossa diretoria de futebol é a mesma desde 2007, portanto eles conhecem empresários, analisam jogadores, fazem isso por boa parte do tempo. Vejo em fóruns e em comentários aqui gente que entende e observa muito bem esse lado, portanto não é mais do que obrigação dos que comandam nosso futebol em achar as peças certas e trazer esses jogadores o quanto antes. Felipão deve ter passado uma lista excelente para a diretoria.
Com ele sabemos que não vem chinelinho ou jogador de esquema.

A parada da Copa trouxe Tinga, um excelente jogador, merece a titularidade, Pierre está muito mal, vive uma fase irreconhecível e isso faz nosso elenco ficar manco. Temos que torcer para que ele encontre sua forma e volto a dizer aqui. Se ele está jogando com dor ele tem que ser poupado se não vão queimar o filme do rapaz.
Duro dizer isso, mas contar com Pierre hoje em dia é uma incerteza.

Trouxemos Tadeu, que é uma aposta e as apostas no Palmeiras nos últimos tempos não tem dado certo. É reserva, quem sabe vindo um grande jogador ele possa se ambientar aos poucos, mas está longe de ser solução hoje.

Veio Kleber, esse não tem o que dizer, jogador que vem para deixar todo mundo feliz.

Valdivia além de bom jogador leva o torcedor ao estádio. Basta ele ser apresentado domingo no Pacaembu para já ser garantia de estádio cheio.

Três euforias (contando o Felipão), uma revelação que parece que vai dar certo e uma incerteza.
Ainda pouco para credenciar o Palmeiras ao titulo. A qualidade aumentou, mas pensamos sempre em títulos.

Faremos boas partidas se o departamento médico estiver vazio e nosso time se comportar em campo.

A minha esperança é que o Felipão será nossa voz lá dentro.
Não está agora difícil montar um elenco para entrar na briga pelo titulo.
Com a chegada do Valdivia já existe empatia e melhor técnica, agora precisamos de equilíbrio, o sonhado equilíbrio que falamos desde o começo do ano.

Essa é a vida do Palmeirense nesse momento.
Estamos felizes, mas existe uma divida técnica que vamos pagar com apresentações frustrantes em campo.

Ainda temos tempo para reverter esse quadro.
Quem sabe o imponderável, aqueles coisas que só o futebol nos proporciona, como por exemplo a molecada que vem por ai jogar muita bola.
Por enquanto o Palmeirense sorri com algumas ressalvas.
Confiamos no nosso treinador, agradecemos o esforço da nossa diretoria em trazer ídolos de volta, será isso suficiente?
Tomara que sim!
Pessoalmente confio que mais reforços vão chegar. Palavras de dirigentes que conversei essa semana.

Uma hora as coisas começam a caminhar a favor dentro de campo.

Felipão precisa de tempo e temos que ter paciência, cobrando reforços, mas no campo apoiando muito.
Confio que nesse aspecto vamos fazer nossa parte, agora ele precisa da ajuda da diretora e da suposta parceira que temos.

Semana de Derby com a chegada de Valdivia.
O que não vai faltar é emoção.

Seja bem vindo Mago!

http://marcoskleine.com.br/Audio/suhinovocal_jogadores.mp3

PALPITES DA SEMANA

Gilto Avallone vai encher o saco da Arena.

Vamos pedir a expulsão desse senhor do clube.

http://www.ipetitions.com/petition/foragilto/

Palmeiras 4 x 1 Corinthians

3 do Kleber um do Tinga

PS: Estarei tocando com o Ultraje a Rigor próximo domingo em Cubatão dia 01/08 às 20h no festival de inverno da Cidade.