No mês de fevereiro, o Grupo Fanfulla encaminhou à Diretoria da SEP carta solicitando explicações a respeito das profundas modificações sofridas nas categorias de base do clube no início deste ano, sobretudo sobre a dispensa do Coordenador Marcos Biasotto.
Por determinação do presidente Arnaldo Tirone, a quem o grupo agradece pela consideração e respeito prestados, uma comissão de fanfullistas foi recebida pelo novo Diretor das categorias de base, Jair Jussio, na noite de quinta-feira, 17, e nessa reunião foi possível esclarecer muitos assuntos que não só os membros do grupo, mas toda a torcida do Palmeiras, vinha questionando. Vamos a eles.
- Palmeiras B: atualmente serve para ocupar e manter ativos os jogadores que já estouraram a idade de base. Será mantido mesmo quando os contratos desses atletas expirem, mas só contará com meninos em idade de competições em categorias de base.
Comentário: essa linha é menos nociva, já que a tendência será construir os próximos contratos atentando para a data de vencimento, para que nenhum atleta continue com contrato com o clube após a idade de transição sem que tenha potencial técnico para seguir como jogador do Palmeiras. Mas não resolve o problema. As próprias competições das categorias de base seriam suficientes para manterem esses atletas ativos, não necessitando de toda uma estrutura como a do Palmeiras B para isso.
- Atualmente o Palmeiras B manda seus jogos em Jaguariúna, local considerado caro pela diretoria. Não há na capital estádios disponíveis com capacidade mínima para 15 mil pagantes, exigência para se disputar a Série A2. A diretoria busca alternativas para o ano que vem, mas isso vai depender de qual divisão o time vai jogar. Para a Série A3, a capacidade mínima é de 3 mil pagantes.
Comentário: Jaguariúna foi o local acordado pela diretoria anterior para a disputa do campeonato de 2011, no qual ainda resta apenas um jogo por fazer. Em se confirmando a queda para a A3, ventilou-se a possibilidade do clube mandar os jogos em Tietê.
- A divisão considerada ideal para que o Palmeiras B dispute seus jogos é a A3, por critérios técnicos. No entanto, como disputa a A2, um eventual rebaixamento é visto como fracasso pela atual diretoria, pelas implicações políticas.
Comentário: a enorme preocupação com as implicações políticas de uma queda para a A3, o que não arranharia em nada a reputação da SEP no mundo do futebol nem seria causa para se criticar o desenvolvimento da base, já que os atletas atuais do time B hoje são exatamente os chamados “refugos”, escancara um fato mais do que conhecido na estrutura do clube: os fatores políticos se sobrepõem a prioridades técnicas e estruturais.
- As primeiras atitudes da nova diretoria têm sido renegociar dívidas referentes a luvas de vários atletas. O método é simples: repassa-se ao atleta (ou a seus pais) alguma porcentagem de seus direitos federativos. Assim, o Palmeiras deixa de ter 70% ou 80% sobre os direitos desses atletas, passando a ter 50% a 60%, mas se livra de despesas importantes que prejudicariam o fluxo de caixa nos próximos meses.
Comentário: é preciso analisar caso a caso. Para atletas que tendem a não ser aproveitados no time de cima, caso da maioria, a prática pode representar uma boa economia. Mas perder 10% a 20% de uma grande promessa que pode ser negociada no futuro por milhões de euros significa uma economia pouco inteligente. Esperamos que isso tenha sido levado em consideração pela atual diretoria e não simplesmente tenha se pensado na economia de curto prazo que será alcançada.
- A reformulação da Comissão Técnica das divisões de base proporcionará ao clube uma economia de cerca de R$80 mil/mês. Jussio alegou que, além da economia proporcionada, a contratação do profissional Claudinei Muza para a função de coordenador envolvia uma questão de confiança. Só para esta posição, a economia foi da ordem de R$15 mil/mês. Biasotto teve sua atitude colocada sob suspeita pelo fato de muitos atletas captados por ele e sua equipe terem origem no mesmo local.
Comentário: Biasotto tinha seus métodos de captação, que podem ser contestados. Mas se havia motivo para suspeita, bastava fazer uma avaliação dos atletas: se eles tinham condições de serem trabalhados pela estrutura do clube ou não. De qualquer maneira, Jussio teria o poder de vetar a contratação de qualquer atleta a partir de 2011. Não há nenhum indício de corrupção comprovado, a mera “suspeita” não justificaria a demissão de Biasotto. A única causa aparente teria sido a economia de R$15 mil/mês, o que é bastante questionável diante do nível de trabalho desempenhado pelo profissional.
- Os métodos de avaliação e acompanhamento dos atletas adotados por Biasotto e sua equipe, que envolviam um complexo trabalho de observação de filmagens e valoração de desempenho segundo vários critérios será posto de lado. As filmagens são consideradas caras (R$5 mil/mês) e desnecessárias, e as avaliações quantitativas serão abandonadas. O único critério de acompanhamento será a observação no dia-a-dia.
Comentário: independentemente da capacidade do profissional contratado, Claudinei Muza, a tendência em se abandonar métodos científicos que já vinham sendo usados há dois anos, cujos resultados já podem ser vistos de forma parcial com o visível crescimento do aproveitamento de pratas-da-casa no time profissional, e que seriam vistos em sua plenitude a partir de 2014, representa uma enorme e imensurável perda para o clube, que regride 20 anos na metodologia de desenvolvimento das categorias de base.
- A psicóloga que dava assistência aos atletas foi dispensada e não será contratado nenhum profissional para substituí-la. Este tipo de assistência é considerado dispensável pela atual diretoria.
Comentário: a obsessão por cortar custos, talvez pressionado por outros setores da diretoria, faz com que as categorias de base percam até serviços essenciais, que passam a ser vistos como dispensáveis. Há poucos profissionais tão importantes no acompanhamento de atletas de divisões de base quanto um psicólogo, e o clube incorreu num erro de proporções enormes ao tomar essa decisão.
- O clube montou uma ótima estrutura para absorver os jogadores da base, desalojados das casas na Rua Padre Antonio Tomás por conta das obras da Arena. Para o futuro, a tendência é de abandonar o projeto do CT de São Roque, e de levantar uma estrutura no CT de Guarulhos, a despeito de já se ter aprovada nos órgãos governamentais toda a papelada que permitiria ao clube captar recursos junto à iniciativa privada para viabilizar o projeto de São Roque com incentivos fiscais.
Comentário: tecnicamente falando, São Roque ou Guarulhos, pouco importa. O mais relevante é que o clube tenha um local onde os atletas possam treinar e morar, evitando os deslocamentos. No entanto, causa espanto a preferência por Guarulhos, onde ainda não há projeto aprovado para captação de recursos com incentivos fiscais. Não há necessidade de se desenvolver e aprovar todo um projeto para Guarulhos se já temos um pronto para São Roque, para o qual basta concluir a (difícil) etapa de captação. A não ser que o clube pretenda investir em Guarulhos com recursos próprios – o que parece um contra-senso para quem alega precisar tanto cortar custos. OBS: O Fanfulla já apresentou ao Palmeiras projeto sobre Futebol de Base e Lei do Incentivo ao Esporte. Ver em ATUAÇÃO, em nosso site.
O Grupo Fanfulla fica muito satisfeito e agradecido ao presidente Arnaldo Tirone e ao diretor Jair Jussio pela receptividade e disposição em atender aos questionamentos do grupo, e por extensão, de toda a torcida do Palmeiras.
No entanto, registramos aqui toda nossa preocupação com os rumos que as categorias de base parecem estar tomando. Não questionamos o caráter nem as qualificações das pessoas que estão iniciando seus trabalhos, mas as pressões políticas, aliadas ao aparente desprezo por uma metodologia que dava todos os indicativos que era vencedora, fazendo com que o clube volte no tempo no que diz respeito ao desenvolvimento de novos valores, nos deixa apreensivos e desejosos de que a presidência do clube se aproxime da questão e que dê mais suporte ao departamento, permitindo assim que se mantenha a busca pela excelência com os métodos mais adequados.
Grupo Fanfulla




