Texto de Diego Sandrini
No dia 26 de janeiro o Conselho Deliberativo do Palmeiras se reuniu para aprovação das contas de 2011 e orçamento de 2012. Os dois assuntos foram aprovados pelo CD.
Mas será que os conselheiros do Palmeiras estão aptos a avaliar e aprovar um orçamento? Um orçamento tem basicamente duas funções: alinhar a questão financeira às estratégias e objetivos da instituição para um determinado período e, após aprovado, servir de balizador para acompanhar as despesas e receitas.
No caso do Palmeiras, a reunião do CD era justamente para os conselheiros validarem a primeira função: a estratégia e objetivo. Pois bem, alguém sabe qual é o objetivo traçado para o Palmeiras em 2012? E pior, a atual gestão sabe qual é seu objetivo e sua estratégia?
O orçamento deveria vir acompanhado de uma introdução com as metas de resultados (esportivos, administrativos, financeiros, etc) esperados para 2012. Não me consta que estas informações foram disponibilizadas. O que fica implícito é que a atual administração tem como prioridade “pagar as contas”, e é ai que reside o problema.
O orçamento apresentado contém praticamente o mesmo perfil de receitas de 2011, ano em que tivemos resultados esportivos pífios. E pior, o investimento no futebol é também bastante similar ao de 2011. Ou seja, o orçamento para 2012 nos diz que o objetivo do Palmeiras em 2012 é obter os mesmos resultados de 2011.
Uma gestão eficaz utiliza-se do orçamento como instrumento motivador para as áreas que geram as receitas, ou seja, as receitas esperadas para 2012 deveriam ser maiores que as 2011, para pressionar e motivar os gestores responsáveis a alcançá-las. A verdade é que sem investimentos maiores no futebol, razão de existir do Palmeiras e core business da instituição, não conseguiremos resultados esportivos à altura da grandeza do clube.
O discurso de austeridade da atual gestão esquece que o Palmeiras está inserido em um mercado promíscuo, sem regras claras de atuação, onde a ética passa distante. É claro que não esperamos uma gestão desonesta, mas os administradores do Palmeiras devem entender que os concorrentes deste mercado estão investindo mais em seus departamentos de futebol, se endividando mais e, por isso, estão montando equipes melhores que as nossas.
É claro que o futebol não é uma ciência exata, que o sucesso depende de inúmeras variáveis, mas se depender do orçamento apresentado pela gestão do sr. Arnaldo Tirone, passaremos 2012 como meros coadjuvantes do futebol brasileiro.



